A maneira como a canção tem seu início imediato estruturado já chama a atenção pela sua natureza propositadamente dissonante. Por meio de um toque estridente que causa a impressão de desarmonia, uma espécie de caos paira pelo ambiente sem necessariamente ser repleto de elementos. Apenas com algo que soa tão parecido quanto om ranger de um portão enferrujado, a composição já passa a ideia de desconforto.
Em seguida, é como se o vento falasse por si. Seu som uivante desperta sensos de solidão e quietude, mas de uma maneira incômoda. Mexendo com os sentidos associados tanto à melancolia quanto à insegurança, a canção, sem qualquer menção de medo, avança em seu experimentalismo sonoro de forma a trazer, inclusive, menções de uma nostalgia repleta de dor e sofrimento, para não dizer, somente, lamentação.
De estrutura linear, a faixa vai fazendo com que o ouvinte vá se introspectando cada vez mais até se perceber refém de sua própria bagagem de lembranças e memória. Nesse instante, o torpor toma conta e a realidade se torna tão turva que nem mesmo a ausência de movimento da obra chega a incomodar. Paralisado entre um constante vaivém entre passado e presente, o espectador finalmente percebe que The Sea Of Almost é, em sua essência, uma obra que trata sobre perda e que se encerra com um senso de redenção.
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