Tidal Wave é a faixa em que January Blue mistura texturas psicodélicas e sons brisantes

Ela pode ser sensual. Mas em sua verdadeira essência, ela guarda consigo uma postura introspectiva pungente que abraça uma melancolia interessantemente envolvente. É interessante, portanto, observar que é somente a partir da interação direta entre uma guitarra aguda e minimalista e uma levada rítmica amaciada que esse contexto sensorial ganha vida.

Não existe frescor. Na verdade, é té capaz que não haja a necessidade desse fator no que tange a proposta sensorial da obra que se desenvolve. Afinal, até mesmo por meio da interpretação lírica assumida por January Blue através de seu timbre agudo e delicado, o que salta aos ouvidos é uma proposta intimista incontrolável e irresistivelmente entorpecente.

Misturando elementos do indie rock com pitadas de indie pop e, inclusive, do soul, Tidal Wave mergulha em um refrão de textura suave que enaltece, de uma vez por todas, a sua sensualidade irreverente e provocante, mas que, aqui, não vem acompanhada, necessariamente, de libido. Essencialmente etérea, a faixa serve, simplesmente, como um processo gradativo de expansão do inconsciente.

Como single de estreia da carreira de January, a presente faixa mostra uma artista versátil, mas que se apresenta com a proposta de ser expoente de uma paisagem sônica amorfinante, barroca e incandescentemente intimista. A partir daí, é possível dizer que ela funciona como uma espécie de fusão entre Lana Del Rey e Ellie Goulding, mas com uma autenticidade nata.

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