É interessante como o som de natureza levemenete estridente extraído do teclado consegue conferir, imediatamente à sua presença, uma costura dramática, densa e tensa ao ecossistema em desenvolvimento. Introspectiva, mas já capaz de comunicar um suspense de gama pegajosa, a canção caminha por uma trilha regida pela delicadeza estética, mesmo que ela seja respaldada por intensas doses de um torpor inegável e inescapável.
Enquanto o teclado e agora o sintetizador começam a estreitar laços mais rígidos, detalhe que ocasiona a elaboração de uma atmosfera quase transcendental, a faixa chama a atenção por, enquanto desfila texturas de uma era musical sentista marcante, despejar perante o seu próprio ambiente a melancolia em um estágio avançado. Agraciada por bons traços entorpecentes enquanto surte em um efeito dramático, a composição surpreende por fluir para um ambiente em que a quebra rítmico-sensorial é gritante.
Saindo do marasmo introspectivo e amorfinante, a faixa coloca o ouvinte em contato com uma estrutura audaciosamente dançante ainda respaldada por uma base sonora atmosférica. Com certo quê de densidade e uma harmonia linear que simplesmente auxlia no engrandecimento do senso de morfina, Tidelines faz com que o seu aroma suavemente gélido, atua como o principal single do próximo álbum de John Paul Hardy a partir da sua natureza instrumental profundamente letárgico.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/4cGGzL4dAMFHCzy4ToVur6
