Enquanto a guitarra desfila uma agradável e atraente melodia swingada, logo na base harmônica existe um teclado que, oferecendo uma singela aspereza proveniente da sua reprodução da textura do wurlitzer, oferece uma camada sonora que induz a um breve mergulho psicodélico. Felizmente, o único, mas presente elemento capaz de favorecer a manutenção de um mínimo de consciência é o chimbal e a sua superfície seca na ânsia de sugerir os primeiros sinais da cadência rítmica.
Assim que o primeiro verso se inicia, o que não acontece tardiamente, o espectador é colocado em contato com um escopo rítmico-melódico fluido e sincopado capaz de esboçar uma boa dose de suavidade orgânica. Transpirando uma postura curiosamente introspectiva mesmo diante de estímulos sensoriais mais amaciados e expansivos no que tange ao encontro corpo a corpo, a faixa sugere instantes de suspiros que induzem toda a audiência a sintonizar em uma frequência de suspirante leveza.
É verdade que a obra é, inclusive, encorpada. Afinal, o baixo e o seu groove gordo podem ser percebidos com clareza moldando a densidade ideal na base melódica, mas ainda assim não se pode ignorar o fato de que ela se construiu a partir de certa linearidade sonora. O que salva a sua conjuntura é o inquestionável teor de contágio que é alcançado a partir da sintonia instrumental. Com uma temática que transita entre os universos setentista e oitentista, Can’t Stop The Rain se configura como o novo single de Tim Jackson.
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