É interessante perceber que, dentro de um contexto que já se mostra embriagado em bos estímulos dançantes, existem nuances sensoriais curiosamente sombrias que beiram o pegajoso. De natureza puramente entorpecente, mas mostrando um gradativo crescimento, a canção, enquanto embebe o espectador com seu beat linear e amorfinante, traz a batida rítmica para o primeiro plano, deixando o ecossistema ainda mais envolvente e convidativo.
Sendo a partir desse momento que a composição consegue comunicar o ouvinte, com mais clareza, sobre sua imersão no campo da house music, o ambiente é tomado por uma sonoridade delicada, aromática e com notas de um curioso frescor. Sem, se esquivar, por um instante sequer, de sua natureza entorpecente, a canção destaca, também, o caráter sonoro minimal como um toque importante de sua paisagem sônica.
Trazendo consigo uma paisagem noturna graciosamente aconchegante e sem qualquer menção a um aspecto marginal ou mesmo urbano, Time Field faz valer a sua delicadeza estético-estrutural ao passo em que denuncia, agora de forma clara e inquestionável, a sua identidade deep house. É assim que o DJ Thommek chega a refletir sobre seu próprio desenvolvimento artístico: com um produto que seja dançante, mas, ao mesmo tempo, frágil, introspectivo e audivelmente confortável.
Mais informações:
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Soundcloud: https://soundcloud.com/user-567312770
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