To Believe I’m The Sun | Meredith Adelaide anuncia álbum com jornada diante da autoestima e da aceitação

O minimalismo absoluto toma conta da composição desde seu início imediato. Enquanto a voz doce e equilibrada entre dulçor, agudez e uma leve rouquidão de posse de Meredith Adelaide caminha serenamente pelo ambiente oferecendo uma doçura curiosamente soturna, um sonar instrumental seco e levemente grave vai proporcionando certa densidade. Invariavelmente, é esse detalhe que dá, à canção, uma consistência ideal para que a obra não soe fraca. De paisagem inquestionavelmente introspectiva, Big Songs chama a atenção do ouvinte pelo seu movimento gradativamente crescente até o instante em que se torna espirituosa e faz de seu caráter etéreo algo denotativamente transcendental.

A guitarra é o elemento que puxa a introdução dessa nova composição. E por meio dela, o ouvinte tem acesso a uma pegajosa camada soturna que se perde em meio a uma generosa brisa melancólica. Incomodamente sombria em razão da intensidade de uma frieza propositada explorada pela interpretação lírica assumida por Meredith, One Foot Out é uma canção em que a cantora traz, mais ainda do que em Big Songs, uma familiaridade estético-estrutural para com o pop barroco de Lana Del Rey. Trazendo consigo uma boa dose de ultrarromantismo em razão da visceralidade de sua introspecção rascante, a presente faixa chega a ser pontiaguda mesmo diante do torpor muito bem elaborado perante a sua estrutura melódica minimalista.

Existe um encantamento adorável ofertado pelo dulçor bucólico levemente ácido oferecido pela gaita. O que chama a atenção nesse novo ambiente é, especificamente, a energia curiosamente animada que extravasa perante a melodia construída pelo violão. Mesmo que macia, a faixa sugere um toque curiosamente sorridente em meio à introspecção marcante como forma de se evidenciar uma espécie de assinatura da sonoridade de Meredith. Inclusive, nesse ecossistema o intimismo ganha o charme da presença de sobreposições vocais que, de certa forma, salientam a delicadeza estética de Pushing Out, uma faixa que, definitivamente, se destaca por ter um aspecto motivacional intrigante.

O caráter acústico vem com silhuetas cruas que chegam a ser estonteantes em razão de sua curiosa intensidade. Para alguns, é verdade, ela pode soar leve, mas, para outros, a forma como o violão se movimenta sugere uma densidade tão pegajosa que é capaz de colocar o espectador diante de seus próprios ímpetos vulneráveis. Guard Dog se destaca pelo seu caráter sombrio e sorrateiro, detalhes muito bem salientados pela forma com que Meredith expressa o enredo lírico. 

Eis aqui um material que chama a atenção pela honestidade. Pela visceral sinceridade e originalidade com que cada um de seus oito títulos são construídos. Com um minimalismo estético-estrutural capaz de soar profundamente pungente, To Believe I’m The Sun se consagra como um produto de natureza soturna, comportamento sorrateiro e energia sombria.

Importante destacar, nesse aspecto, que é possível de se identificar, perante a veia estética do álbum, uma mistura de influências diretas e indiretas que culminam na obtenção de uma sonoridade autêntica. De Lana Del Rey, passando por Alanis Morissette em sua fase Jagged Little Pill e abraçando uma Avril Lavigne em suas eras Let Go e Under My Skin, Meredith consegue combinar o pop com uma atitude soturno-melancólica no limiar entre o fim da década de 90 e o início de 2000.

Ainda que esses detalhes sejam mais marcantes perante a execução dos seus quatro primeiros títulos, To Believe I’m The Sun, álbum com previsão de lançamento para 21 de novembro, é, em sua integridade, um produto em que Meredith se joga perante temas como aceitação e autoestima. Invariavelmente, aqui a cantora se joga perante os sensos de sinceridade e confidência em relação a si, o que o torna um produto inquestionavelmente marcante.

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