A primeira combinação sônica encontrada pela sintonia entre algumas das cordas do violão ecoa pelo ambiente de forma a difundir uma agudez cuidadosamente aveludada. Expondo, portanto, a sua delicadeza, a canção faz com que o instrumento seja capaz de incentivar a assumição de uma postura introspectiva, mas longe de ser dramática ou necessariamente pungente.
Ainda assim, é inevitável para o ouvinte não se sentir capturado pela densa brisa reflexiva emanada pelos dedilhares fragilmente pulsantes extraídos do violão. Seguindo a mesma métrica sônico-melódica até então sugerida pelo instrumento, a voz suave de Mica Bernard, equilibrada entre dulçor e rouquidão, estimula a sensibilidade inerente ao delicado, ao vulnerável e ao compassivo.
Estrutural e instrumentalmente minimalista em sua máxima essência, a canção destaca um estilo de pronúncia muito próprio de Mica, com ênfase nas primeiras sílabas e uma aparente proposital supressão tônica das últimas letras de cada palavra. Assim, a cantora acaba criando um movimento lírico-interpretativo ondulante, mas também um tanto truncado que sugere certa tensão perante a fluidez da maciez. Com Tom And Jeriatric, portanto, a vocalista apresenta a sua imersão no campo do indie folk com notável maestria, de forma a ressaltar a sua singeleza, a sua serenidade e o seu dulçor confortavelmente envolvente.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/37cAEEhmeylOlgomZako6K

