Não é apenas interessante. É marcante. É pungente. É visceral. A forma como a canção se inicia, nos moldes de um coro murmurante e ao mesmo tempo ululante, dá a ideia de uma congregação não apenas nos moldes de um cortejo fúnebre. Ela carrega consigo um lamento intenso emaranhado por uma gratidão que não cabe em palavras, mas que é facilmente representada pela emoção, pelo sentimento.
Delicada e rascante, a canção traz em seus elementos percussivos o fator que carrega a sua alma. O elemento que faz nascer e enaltecer a noção de dramaturgia. De melancolia. De reflexão. A cada sonar de seus pulsos, os quais são abraçados por tilintares provenientes do pandeiro, o ouvinte se percebe cada vez mais adentrando em seu próprio mundo inconsciente, acessando suas profundezas emocionais.
Assim que o enredo lírico enfim ganha vida, o que acontece a partir de uma voz masculina encorpada vinda de Jeff Dwyer, o tom gutural usado pelo cantor amplifica a pungência e a dramaticidade da obra. Porém, o que marca o presente cenário é a sua gradativa elucidação no que tange um formato gospel rascante.
Munida de um storytelling penetrante, a canção tem a capacidade de fazer o ouvinte viver sensorial e cenograficamente tudo aquilo o que é entoado pelas palavras proferidas por Dwyer. Ao lado da The Deja Groove Band, ele faz de Tribute To The Ancestor uma obra que, como o próprio título sugere, oferece um tributo honesto, sincero e consistente a todos os indivíduos americanos escravizados. Em sua máxima essência, a faixa destaca a ampla resiliência do espírito humano, o que a torna ainda mais tocante.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2M8KvlFs7VFpBfsbRNMC8p

