Não adianta o artista se atualizar, experimentar e compor se ele não sente aquilo que faz. A música boa sempre será percebida pelos seus asseclas e também sentida. Logo, não convém a fazer por fazer, experimentar e não ter um contexto que mexa com o ouvinte, passará em branco de qualquer forma.
Filosofias à parte, capitaneado pelo produtor e membro fundador jimjones3, o tripperjones.ai chega com uma proposta experimental e auxiliada pela IA, também conhecida como inteligência artificial, do qual ele entrega um álbum versátil e com sua pulsação. Ou seja, não se trata de algo não criado por humanos, pelo contrário, é um trabalho idealizado pela mente de um homem e que conta com auxílios e aperfeiçoamentos da tecnologia do momento.
Mas, uma coisa tem que ser ressaltada. Supomos que “EIGHT COURSE TASTING MENU” (nome do disco) tivesse sido completamente criado por IA, seria algo surreal, porque é tão orgânico que passaria batido. Eis os perigos disso, mas também a honestidade do projeto faz com que notemos vários diferenciais.
A sonoridade encontrada nas nove faixas em pouco mais de 28 minutos transita entre o rock alternativo, grunge, psicodélico, garage e um toque de industrial, onde o ouvinte irá encontrar referências que vão desde Sonic Youth, passando por Jane’s Addiction e até mesmo Coldplay em seus momentos mais enérgicos.
Fato é que o tripperjones.ai não se prende a algo, tendo essas referências onde cria a própria fórmula e isso é algo muito, mas muito interessante. Apesar de lá no fundo possuir uma identidade, sempre nos identificaremos com algo, como se já tivéssemos ouvido antes. E isso não se trata de uma mera cópia, mas sim dos trejeitos que eles usam nas composições serem populares ao gosto deles.
Vamos pegar “Come Dance” por exemplo. A música chega com a produção empoeirada, mas ganha uma melodia sombria, porém com a cozinha dinâmica e vocais sussurrados em falsetes (o que é uma das assinaturas do projeto). É impossível não notar a veia alternativa se mesclando com o funk, mas passando longe da sobriedade de nomes como Faith No More ou Red Hot Chili Peppers. Isso se chama originalidade.
Mas, para não ser injusto, ainda podemos destacar “Backseat”, que abre o disco aguçando nossa curiosidade e pavimentando o caminho pra essa viagem lisérgica com muito peso e agressividade dignas do The Prodigy, e “Crystals In The Sand”, uma balda garage psicodélica surpreendente. Mas, “EIGHT COURSE TASTING MENU” é um disco que exige uma audição completa.
