True Stories… And Other Lies | Pryzme lança álbum que mistura emoção com estruturas de rock progressivo

Ainda que o silêncio assuste e que a solidão apavore, é a escuridão que causa o maior incômodo. Não entender o entorno e não se ver no domínio do próprio ambiente em que se encontra dá ao ouvinte uma experiência arrepiante que escancara a sua vulnerabilidade. Mesmo entre ecos guturais vindos do ressoar do sintetizador, o que causa a elaboração de uma ambiência puramente fantasmagórica. Por mais que um escopo rítmico sintético se apresente conforme a música se desenvolve, Echo Of Silent Place não esconde a sua natureza introspectiva amorfinante.

Entre o som ambiente de trovões agressivos, daqueles capazes de fazer a escuridão noturna ganhar vida através de uma imponência quase autoritária, vozes em conversas paralelas são percebidas moldando uma embrionária poluição sonora, mas sem causar, necessariamente, incômodo. Agraciada pela presença de um sonar sintético agudo perambulando pela dianteira melódica de maneira a causar certo conforto, Earth Song, por meio de seus mais de sete minutos de duração, convida o ouvinte a imergir em uma estrutura progressiva curiosamente embasada em brisas psicodélicas de pura calmaria.

Seu sonar sintético é agudo e pipocante. Rapidamente, porém, antes mesmo que ele fosse capaz de embriagar o espectador, a introdução recebe uma guitarra de riff grave abraçada por singelas brisas de uma sensualidade provocante. Sincopado junto ao compasso seco do chimbal, o instrumento se torna aquele elemento que carrega consigo a alma da obra. Imponente, confiante e empoderado, ele caminha livremente sobre uma cama sintética aguda ligeiramente adocicada fornecida pelo teclado. O interessante, aqui, é que End Of The Anger é dominada por versos de ar leves, ainda que amaciados em virtude da forma como o vocalista imprime seu timbre intermediário suavemente açucarado. 

A delicadeza é uma qualidade que, surpreendentemente, preenche o ecossistema inicial da presente obra graças à maneira com que o violão se apresenta. Nesse ínterim, o instrumento também é capaz de mergulhar o espectador em uma vivência sensorial de caráter introspectivo organicamente. Soturna em certo aspecto, Green Eyes, na realidade de ser a segunda maior música do álbum, traz rapidamente o enredo lírico perante uma melodia minimalista. Repleta de uma melancolia pegajosa, mas não visceral, a faixa evidencia a sua natureza dramática em todas as suas divisões. Seja durante o refrão amorfinante ou no solo rascante suando nuances de angústia, Green Eyes se mostra uma obra inteiramente tocante.

True Stories… And Other Lies traz o que se tem de mais léxico no que se refere ao rock progressivo. Formado majoritariamente por canções longas que superam a marca de cinco minutos de duração, o álbum consiste em um produto de narrativas épicas envoltas em um cardápio sensorial tão vasto que não aceita precedentes. Do conforto à morfina e da introspecção à melancolia, o disco faz com que o ouvinte, invariavelmente, entre em contato com sua própria vulnerabilidade.

Ainda que visíveis principalmente no decorrer de suas quatro primeiras faixas, o álbum alcança, em todas as suas sete canções que totalizam uma execução sonora de pouco mais de 56 minutos, uma vivência marcante. E aqui, o marcante não tange somente o emocional, mas, também, a própria composição rítmico-melódica.

Apo combinar toques sintéticos e orgânicos, o disco, invariavelmente, mistura nuances psicodélicas em meio ao seu vasto escopo progressivo. E nesse aspecto, o fato de que todos os seus instrumentos receberam o mesmo tipo de tratamento apenas enriquece as suas paisagens. Do baixo ao teclado, tudo pode ser degustado de forma cristalina, mostrando que True Strories… And Other Lies sabe lidar muito bem com as emoções, mesmo as mais delicadas no que tange a complexidade de compreensão.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/081Phtdxthpf9ZsCt9TMXq