É curioso perceber que, apenas por entre os pulsos rítmicos e a presença de sonares de identidade levemente sintéticas faz com que o ouvinte se embale em prematuros sinais de fluidez associados com ligeiros toques de sensualidade. Rapidamente, porém, tal vislumbre sônico passa a ser surpreendentemente acompanhado por uma linha lírica desenvolvida sob a paisagem de um dueto.
Nele, enquanto se percebe uma voz doce, frágil e de conotação confortavelmente aveludada pairando pela superfície vocal, um timbre masculino e de caráter agridoce se apossa da base. Dessa forma, Anin Rose e SATCH criam, juntos, um universo sensorial que combina maciez, introspecção e torpor de uma forma orgânica e bastante contagiante. Entre falsetes, melismas e modulações líricas sem alteração, a canção, invariavelmente, assume contornos reflexivos que tangenciam generosamente a melancolia.
Aromática em meio às suas silhuetas de natureza amorfinante, é interessante perceber que, quanto mais se desenvolve, mais a obra amadurece uma ideia de superação e de fortalecimento interno. Sem ser necessariamente motivacional, Underland adquire uma postura de leve compaixão enquanto ganha movimento rítmico com a entrada da bateria, instrumento que dá precisão a um diálogo sobre ansiedade, autoproteção e fragilidade. É assim que a faixa se torna pungente sem ser propriamente dramática ou mesmo visceral.
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