É interessante perceber que a forma com que o piano promove a construção harmônico-melódica inicial surte em um efeito sensorial que beira a tranquilidade. Ainda assim, no meio desse caráter de relaxamento o ouvinte se depara com brisas que são, ao mesmo tempo, reflexivas, lamentadoras e melancólicas.
O curioso, aqui, é que, mesmo sem um desenvolvimento devidamente definido, a canção alcança uma semelhança energética audaciosa para com Lucky Man e Bittersweet Symphony, singles do The Verve. Intimista e lacrimal, Undress Me chama a atenção do espectador por, no instante em que o lirismo começa a ser vivido pelo timbre adocicado de Hana Lili, assumir silhuetas épicas de grandiosidades dramáticas que se familiarizam, inclusive, com a pungência alcançada em No Air, single de Chris Brown.
