V.E.N!, projeto solo de Edu Campoy, anuncia Waking Up In The Night, seu novo EP!

A guitarra se contorce imediatamente ao instante em que surge em cena puxando a introdução. Expondo uma emoção de maneira visceral e a partir de uma estrutura muito semelhante àquela executada por Sam Andrew no nascimento de Piece Of My Heart, single do Big Brother & The Holding Company, ela oferece bojudos e marcantes indícios do soul como ingrediente estético-estrutural da obra em desenvolvimento. Ganhando espaço e autenticidade ao adquirir um compasso fluido em razão do ritmo assumido pela bateria entre os momentos de torpor regozijante, Connection se mostra leve, sincopada e abraçada por uma introspecção delicada especialmente nos versos, momento em que até Edu Campoy expõe, com mais veemência, o seu timbre naturalmente adocicado de traços aveludados. Misturando torpor e uma dramaticidade audaciosamente contagiante, a faixa exibe silhuetas dançantes mesmo em meio a momentos de uma visceralidade que beira o desespero.

A guitarra mantém o seu protagonismo estético, mas aqui, o que acontece é que ela assume uma identidade mais limpa e até mesmo contida. Salientando a delicadeza estética a partir dessa nova postura, ela se une ao teclado e consegue dar a Break The Compass um tom melodramático pungente, ainda que devidamente delicado. Explorando um interessante contorno melancólico a partir dessa linha de atuação, a canção tem, na bateria, aquele elemento capaz de sintetizar a dramaticidade com esse teor entristecido que tanto transpira do espectro melódico. 

Diferente do que foi explorado e vivenciado até aqui, a presente canção parece apresentar ao ouvinte aquele contexto mais audacioso e original. Fugindo do intimismo, do torpor, do veludo e até mesmo da melancolia pungente, agora V.E.N coloca o ouvinte em diálogo direto com a tensão, com o drama, com o noturno e com o sorrateiro. Com frases líricas interpretadas sobre uma vertente mais agressiva em comunhão com a guitarra, que agora adota um riff rasgado e pulsante tanto quanto o ritmo, The Scared Animal destaca o seu groove saliente diante de uma estrutura ritmicamente linear e melodicamente suspirante especialmente nos versos.

A introspecção não vem sozinha. Afinal, se assim fosse, a canção não alcançaria a sua intenção primeira. Junto de um teclado adocicadamente uivante, a guitarra, elemento responsável por essa percepção sensorial, amadurece o torpor e a maciez em seu aspecto vulnerável a partir de interpretações que beiram o suspiro. Dançante e valsante em sua essência, Crossing The Last Valley explora um torpor curiosamente agraciado por contornos transcendentais que capturam imediatamente a atenção do espectador.

Contando ainda com títulos como Evolution e a sua sonoridade onírica, além de The Home Of The New Man, faixa com teclado sincopado e uma vertente rítmica fluida, Waking Up In The Night se configura como um EP reflexivo marcado pelo intimismo, pelo torpor e pela melancolia.

Sempre expondo o vulnerável e o frágil a partir dos seus corpos melódicos, o EP até que vivenciou momentos de ímpetos de agressividade e sensualidade, mas a sua marca é, de fato, a introspecção. Com texturas atmosférica, Waking Up In The Night mistura o rock alternativo com elementos progressivos em meio a temáticas espirituais e intimistas.

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