Desde seu início imediato, a canção exorta um experimentalismo admirável. Afinal, enquanto coloca o espectador em contato com uma sonoridade aguda, açucarada e sintética com direito a um beat ligeiramente sensual, a obra oferece vislumbres árabes a partir da maneira como MUNZER dá vida ao enredo lírico.
De estrutura capaz de se tornar contagiante em relação à percepção do espectador, a faixa traz consigo um desenho percussivo que, curiosamente, rememora aquele presente em Crazy In Love, single de Beyoncé. A partir daí, não é difícil que a audiência identifique a presença do pop pairando pela paisagem sônica da obra, o que, invariavelmente, a torna mais radiofônica e atraente.
Ainda que seja uma composição de lirismo entoado perante a adoção da cadência sincopada e rimada do rap, o vocalista faz com que ela, de maneira surpreendente, não seja agraciada por tensão, densidade ou um sombrio associado ao marginal e ao urbano. Pelo contrário.
Em V.I.P, o experimentalismo chega ao ponto de fazer com que a leveza e o puro contágio dominem todo o contexto sônico que a molda. E o interessante é que tudo isso acontece diante de uma desenvoltura arquitetônica linear, mas que não chega a causar incômodo ou a barrar o senso de fluidez adquirido pelo espectador.
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