A maneira como a guitarra se coloca em cena já é capaz de envolver o ouvinte não necessariamente em uma paisagem de caráter bucólico, mas, sim, em um ambiente interiorano, sertanejo e inóspito. Capaz de sentir o calor escaldante fazendo a nuca transpirar, a composição rapidamente se favorece do movimento amaciado do chocalho como forma de promover a percepção da presença de uma cascavel por entre as pedras do deserto.
Com esse clima de solitude, o escopo lírico se anuncia de uma maneira interessantemente sussurrante pela maneira como o vocalista imprime seu timbre áspero. Ampliando a sensação de solidão de forma a promover, inclusive, um despertar de vulnerabilidade no espectador, a canção vai amadurecendo seu ecossistema como um produto de postura inquestionavelmente introspectivo.
Ainda assim, não é difícil que o ouvinte identifique, imerso nessa condição de intimismo, certo grau de cinismo. Esse detalhe sensorial, no entanto, logo se transforma em nuances sensoriais psicodélicas exaltadas no instante em que a bateria se apodera do escopo lírico. Com toda essa paisagem sônica agora inteiramente moldada, Vertigo, o single mais importante do álbum Last Resort, chama a atenção pela sua proeza em capturar emoções cruas em associação a um storytelling de natureza pungente.
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Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/4OGQKoWQXakap6Nria0UgL

