O contexto sintético e digital se funde a um pulso rítmico firme que conduz o ouvinte em meio a um ecossistema que transpira, ao mesmo tempo, nuances futuristas e sci-fis perante a atuação trepidante do sintetizador. Combinando a textura seca e eletrônica do chimbal com uma sonoridade que, além de transitar pela estridência, oferece sinais de um agudo entorpecente, a faixa traz consigo inclusive uma identidade que flerta com a natureza estética do chiptune.
Introduzindo gradativamente o ouvinte perante um ecossistema que beira um caos eletrônico em razão do timbre das sonoridades adotadas, a faixa não escapa do fato de discorrer acerca de uma linearidade estético-estrutural que acaba ocasionando inclusive uma sequencialidade harmônica. Felizmente, contudo, os pulsos rítmicos são um fator que conduz o ouvinte à aquisição do controle de sua própria consciência.
Se libertando do torpor até então disseminado pela composição, portanto, a faixa consegue soar introspectiva e reflexiva ao mesmo tempo em que se apoia em instantes de pronúncias mais expansivas. Com direito a texturas letárgicas e oníricas, Wasted Tears se configura como uma obra instrumental, a melhor de Richard Green até o momento, em que se explora o sofrimento universal perante situações que não supriram todo o investimento emocional aplicado.
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