What A Dream It Is | Alexandre Laugier lança seu álbum de estreia como artista solo

A canção é marcada pelo minimalismo estético-estrutural. Ainda assim, a forma como é construída e a maneira com que permite a interação de seus elementos, a torna um produto de orgânico senso de contágio. Atraente e com uma alegria curiosamente sensual a partir do som estalante dos dedos como elemento de conotação rítmica em contato com o timbre afinado e ligeiramente agridoce de Alexandre Laugier, a faixa-título chama a atenção por explorar uma atmosfera jazzística oriunda da década dos anos 20. 

Trazendo o piano como elemento definidor da textura e do sabor a ser obtido durante a formulação de sua sonoridade, a presente composição aposta na elaboração de um ambiente mais intimista e requintado. Com direito ao som ligeiramente tremulante do contato das baquetas com a pele da caixa da bateria, a composição engrandece uma sensibilidade relacionada à sensualidade. Conseguindo se aventurar por brisas que sugerem um quê de romance, I Look For Love se mostra uma composição naturalmente introspectiva, mas cheia de intenções relacionadas ao contato corpo a corpo e ao encontro do amor ideal.

Fugindo do caráter introspectivo esboçado anteriormente, o que Get Lost In Your Arms oferece é o desejo pela expansão. É a saliência. É o repicado rítmico como forma de introduzir a sensualidade ao ambiente. Alegre, leve e naturalmente sincopada, ainda que caminhe perante uma linha rítmico-melódica linear, a faixa chama a atenção por misturar romantismo e torpor de uma forma equilibradamente trabalhada.

Nascida a partir do toque tremulante da baqueta na superfície do chimbal de forma a produzir uma sonoridade seca, a canção é envolvida em uma melodia pulsante e delicada oferecida pelo piano. É nesse momento, enquanto o contexto adquire ares adoravelmente sincopados, que Balade En Bord De Seine recebe a presença graciosa, doce e floral da flauta. É ela que consegue produzir um efeito de romance enraizado em brisas graciosas de folk francês, a tornando, apesar de ser a composição de duração mais curta do álbum, aquela de atmosfera mais marcante e envolvente. Um interlúdio instrumental adorável e inebriante.

Eis aqui uma nova proposta sensorial. Saindo de um esquema que combina introspecção, expansão, romantismo, paixão e perfume, o álbum surpreende ao ambientar o espectador na primeira sua primeira aparente menção de melancolia. Não que ela seja necessariamente chorosa e lacrimal, mas a forma como é construída dá a I Should Have um caráter de aveludada lamúria diante de seu compasso rítmico em 4×4. Marcada por uma delicadeza que, invariavelmente, assume uma postura intimista, a faixa circunda arrependimentos do coração de uma forma curiosamente terna.

Conforme o ouvinte caminha pela trajetória sônica oferecida por What A Dream It Is, uma atmosfera cheia de delicadeza e ternura é criada. Dentro desse contexto, a suavidade e a leveza criam um charme excêntrico que faz, das sonoridades que preenchem cada um dos 10 capítulos da track list do álbum, eventos sonoros únicos e envolventes.

Não existe sensualidade em seu sentido libidinoso, assim como não há a melancolia em seu sentido dramático e pungente. Ainda assim, o que Alexandre Laugier sugere é uma trajetória pelos confins do coração, seus amores, paixões e sofrimentos, também explorados em Fallen Star. Tudo a partir de um jazz encantador que rememora a aura dos anos 20 na companhia de brisas românticas do folk francês. Perceptíveis principalmente nas cinco primeiras faixas do disco, essas características fazem, dele, um material profundamente emocional e rico em texturas.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/0QnayccOfSpbiSueaRiQ4V