O som que dá início à composição parece ser de um indivíduo realizando uma ligação em um telefone de disco. Enquanto ele serve como um elemento colocado na dianteira da introdução, uma voz é ouvida ao fundo, entre um balbuciar incompreensível, mas que denota certo grau de pressa e desespero. De uma adrenalina súbita que, tão logo é apresentada, penetra na sensorialidade do espectador.
Depois que essa mesma voz enfim é percebida de forma nítida e audível, o ouvinte percebe que ela pertence a uma mulher. De tom levemente grave, ela realiza um breve diálogo que, curiosamente, serve como uma espécie de vinheta que, enfim, puxa o verdadeiro nascimento da composição. É então que a obra toma contornos dramáticos e se inclina perante vislumbres sombrios de aromas audaciosamente fúnebres.
Trazendo consigo um verso montado perante um coro lírico que traz consigo a estrutura típica, marcante e potencialmente harmônica do gospel, White Lie: Carolyn’s Story é adornada por uma generosa dose de tensão. Ofertada tanto pelo beat, essa nuance sensorial pode ser identificada quanto pela estridência do time de metais e da acidez do sintetizador.
Nesse processo, é interessante perceber como o reverberar do tilintar do sino causa um efeito ainda mais morfinesco do que aquele anteriormente apresentado. A partir daí, é como se o caos estivesse instaurado, contribuindo para uma dramatização mais pungente da história de uma mulher branca que mentiu sobre um adolescente preto, o levando à morte em 1955.
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