O piano se apresenta por meio da pronúncia de notas duplas e sequenciais. Diante de uma tonalidade intermediária, o instrumento vai se mostrando responsável por moldar a base sonora da obra, que se desenvolve a partir do início dos primeiros sinais verbais. Entoados por uma voz feminina de postura introspectiva de forma a explorar um tom pensante, ela consegue sugerir delicadeza ao mesmo tempo em que envolve o ouvinte em um confortável estado de torpor.
Na posse de Eleri Ward, essa voz faz com que o ouvinte sinta frescor e suavidade, mas se perca entre as noções de consciência e alucinação. Cooperando com esse feito, está o fato de que, diante da continuidade linear das notas do piano, a canção acaba alcançando uma silhueta hipnótica não apenas irresistível, mas iminente e inescapável. Tangenciando, a partir daí, uma identidade sensorial etérea, a faixa surpreende pela sua firmeza em promover um caráter cadenciadamente esvoaçante.
Minimalista no que tange a sua instrumentação e, como já pontuado anteriormente, linear em relação à sua desenvoltura sônica, a faixa permite que o espectador identifique, com precisão, a existência de marcantes sinais reflexivos nas palavras pronunciadas por Eleri. Com direito a sintetizadores que inserem uma aparência celestial profunda, Will I Be The Sun, muito além de propor um pensar dançante que transita entre dúvida e esperança, coloca no centro da discussão a questão: para onde vamos?
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