Apesar de a levada rítmica que puxa a introdução da canção sugerir boas doses de fluidez, ela tem, em sua essência, uma natureza um tanto crua que torna a sua desenvoltura intrigante e atraente. Conforme se desenvolve, o que acontece de forma branda, a canção vai evidenciando a sua natureza synth-pop por meio de uma sonoridade sintética que beira a estridência.
Por meio desse ecossistema digital governado, até o momento, pelo sintetizador, a faixa rapidamente começa a ter seu escopo lírico com o devido destaque. Nascendo através de uma voz masculina de nuances digitalizadas, ele se apresenta com uma aparência e uma cadência que, curiosamente, muito bebem da natureza do trip hop.
Com direito a pequenos solos no entremeio de seus versos, a faixa consegue, de maneira bastante curiosa, fazer com que suas sonoridades tangenciem inclusive a roupagem do chiptune, mas com transparência reduzida. Lembrando levemente o ecossistema desenvolvido pelo Gorillaz em suas respectivas canções, a presente obra ainda transpira certa ousadia por misturar em sua receita estético-estrutural menções inerentes ao rock alternativo.
Perceptível através de certas incursões ríspidas da guitarra, essa paisagem sonora acaba servindo como um auxílio para que JeezJesus torne Work To Die uma canção de alma dramática, mas, ao mesmo tempo, rebelde, desesperançosa e, até mesmo, indiferente. Afinal, aqui o cantor usa da arte da música para expressar as suas próprias frustrações em relação à economia.
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