É curioso. O frescor difundido pela composição traz consigo uma identidade que não se baseia em uma cenografia particularmente praiana. Em si, ela vem enraizada em uma atmosfera urbana e metropolitana, mas, ainda assim, fresca. Enaltecendo suas silhuetas aveludadas e swingadas através da movimentação amaciada e educadamente sensual da guitarra, a faixa, enquanto ainda em sua introdução, promove um embrionário senso de torpor.
Rapidamente, porém, esse senso é vencido por meio da entrada de uma veia percussiva bruta e pulsante, mas que, felizmente, não destrói a delicadeza estrutural. Até porque, por meio desse viés rítmico, a canção consegue fortalecer a sua sensualidade, o que acaba contribuindo para que a voz doce e de uma agudez no limiar da estridência de Asha Maclean não fique deslocada.
Conforme avança em sua desenvoltura, a composição vai ilustrando, cada vez mais, a sua cenografia estruturalmente urbana de forma a, interessantemente, trazer ligeiras nuances de uma base rítmica rappeada em meio ao seu primeiro plano estrutural R&B. Se mostrando dançante a partir do momento em que adentra em seu refrão, Yoga, liricamente, se baseia nos altos e baixos de um relacionamento, capturando o caos do amor moderno. Eis aqui, portanto, uma canção de energia hipnótica e de ritmo vibrante.
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