O violino é colocado em cena diante de uma postura um tanto inovativa. Ainda que pronunciando seu veludo adocicado padrão, o instrumento estimula a sua sonoridade por meio de uma postura trêmula que transforma a sua sensorialidade em algo que beira, ao mesmo tempo, o dramático e o melancólico. Não é à toa que quando o violoncelo e o violão entram juntos, a atmosfera acaba sendo mergulhada em uma tensão pungente e em uma contraposição de suavidade.
Importante destacar, também, que nem mesmo o andamento rítmico expresso pela bateria é capaz de criar uma suavidade demasiada ao ecossistema. Sim, é verdade que o escopo rítmico é apresentado com uma silhueta amaciada, mas, ainda assim, a desenvoltura da bateria acaba contribuindo para a amplitude do sofrer e do senso de decepção. Nesse ínterim, uma voz masculina afinada em um tom adocicado entra em cena dando vida ao escopo lírico.
Na posse de Seann Medicina, esse timbre é usado de forma a surtir em um efeito que mistura menções igualitárias de introspecção e de reflexão. Em meio a essa desenvoltura, o ouvinte se depara com um corpo sônico amplo, agora formado pela interação direta entre violão, violino e violoncelo, além da textura levemente áspera fornecida pelo vaivém do chocalho. Enraizando a obra em um contexto sensorial de pura tristeza, tal abrangência do melódico, do rítmico e do harmônico faz de You Don’t Know Me uma visceral obra que representa todos aqueles que, um dia, se sentiram mal-compreendidos em meio a um relacionamento desgostoso.
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