Zero Gravity, Note One | Leonardo Barilaro lança EP gravado ao vivo durante um voo parabólico

Para os amantes de ficção científica, de longas-metragens cults e de nuances sci-fis, eis aqui uma composição que, definitivamente, tem a capacidade de explodir e expandir a consciência – e o inconsciente. Diante de uma base sonora cuidadosamente pixelada, o que sugere algo como um mergulho profundo em meio a um universo imagético e puramente fantasioso, a canção tem sua melodia puxada por um teclado de notas de sabor com essência indiscutivelmente doce. E é justamente a partir desse detalhe que o espectador acaba percebendo, com a devida surpresa, que Star Wars – zero g-piano, tal como o próprio nome sugere, consiste em uma obra instrumental que recria a trilha sonora icônica da saga Star Wars. Com direito a um beat de essência curiosamente crua, a canção permite que o ouvinte seja embriagado com ligeiras retomadas de consciência em meio ao torpor pegajoso ofertado pela melodia minimalista.

Ainda que os primeiros sinais sônicos pareçam como uma verdadeira sirene surtindo em algum tipo de aviso, a faixa é rapidamente agraciada por uma base melódica ácida e sintética que confere à paisagem uma nuance tecnológica intrigante e inteiramente fantasiosa. De natureza mais aveludada do que aquela oferecida na estrutura melódica da canção anterior, a presente composição se envereda por um marcante sonar pautado na paisagem do synth-pop. Entorpecente e inquestionavelmente transcendental, é interessante perceber que, em razão da forma como o sintetizador e o teclado são explorados, SCRAT – zero-g piano acaba transpirando interessantes e audaciosas nuances progressivas, mas que, inclusive, possuem inclinações brevemente psicodélicas. É assim que a faixa captura a atenção do ouvinte.

Surpreendendo toda e qualquer expectativa, a presente canção tem seu início marcado por uma espécie de torpor introspectivo calcado em uma textura macia embriagante. Ainda assim, é importante e necessário destacar que a forma como a sonoridade é desenvolvida, a faixa acaba fazendo com que o ouvinte, invariavelmente, sinta certa tensão e, portanto, quês de insegurança e vulnerabilidade. Não é o medo em sua forma crua, mas, sim, a fragilidade em caminhar perante um ecossistema que sugere o ermo, o vazio e o desconhecido. Ganhando uma delicadeza precisão a partir da cadência rítmica ofertada por um beat de som curiosamente acústico, a faixa surpreende por ser agraciada, a partir daí, por um toque de sensualidade sereno, mas que já consegue desencadear em uma boa noção de movimento ao espectador. Intimista em sua máxima essência, Note One é simplesmente uma obra de caráter sci-fi em que o transcendental se funde ao torpor e a um suspense intenso.

Zero Gravity, Note One é simplesmente um prato feito e irresistível para todo e qualquer adorador de música experimental. Mais do que isso. É um convite irresistível para o mundo do sci-fi, de um ambiente em que a tecnologia dá asas ilimitadas tanto à imaginação quanto à criatividade. Aqui, não existe conservadorismo, uma vez que cada título aqui disposto propõe ao ouvinte imersões perante o fantasioso e ao transcendental incandescente. 

Como um EP gravado ao vivo em pleno voo parabólico pelo próprio Leonardo Barilaro, Zero Gravity, Note One se configura como um material que mistura arte e exploração. Um perfeito estudo em live action da criatividade humana encontrada no audacioso ambiente da microgravidade.

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